Politicamente

Tenho andado afastado, e provavelmente continuarei, devido à minha participação no fórum POLITICAMENTE.ORG.

Este fórum é sobre política, e eu sinto-me melhor a debater ideias do que simplesmente largá-las neste blog para quem as quiser ler. No entanto, assim que surja alguma conclusão, nesse fórum, será postada aqui.

Ou seja, a nível de política este blog não vai ter tanto movimento. O movimento será de diálogo, no fórum que vos convido a todos a visitar se quiserem debater ideias:

http://politicamente.org.

Obrigado!

José Pedro Sousa

Agora é que vão ser elas

A nova ministra da cultura é pianista. À partida foi uma coisa boa saber isto, porque sempre é melhor ter uma ministra da cultura que realmente percebe de cultura, do que um ministro cuja preferência musical são as três valsas para violino de Chopin (que muito provavelmente inventou naquele preciso momento).

Claro que o problema mantém-se: A cultura estará sempre na última das prioridades. E não se pode dizer que o anterior ministro fez pouca coisa quando todos sabemos que o orçamento de estado para a cultura foi de 0.3%, o que é ridículo. Mas cá para mim, fico mais descansado de saber que temos uma pianista a dirigir um orçamento que o nosso conhecido Sócrates nos prometeu ser maior.

No fundo, a cultura não está nas nossas mãos. A cultura está nas mãos do nosso PM, que:

- Talvez devesse começar a ter aulas de “como ouvir música” para perceber que o nível em portugal está a ir um pouco por água abaixo.

- Talvez devesse perceber que os músicos que estão a dar AECs não percebem peva de pedagogia, e muito menos aquela cambada de incompetentes que sai todos os anos das ESE.

- Talvez devesse perceber que é importantíssimo ensinar os seniores a ouvir música, porque se o pai não quer ir ao concerto, o filho também não vai.

- Talvez devesse perceber que não temos uma única sala de espectáculos realmente feita para música, e que a Casa da Música foi um estouro de dinheiro para uma sala que nem para ópera serve, e é pior que uma sala de teatro.

- Talvez devesse perceber que o ensino superior de música está a abarrotar de professores incompetentes.

- Talvez devesse perceber que uma grande percentagem dos alunos das escolas profissionais de música gostariam de ir para o estrangeiro, porque sabem que só no estrangeiro é que cumprirão os seus objectivos. Muitos não vão porque não têm dinheiro. Só mesmo por isso.

- Talvez devesse perceber que o estado ajuda com uns belos 0% na compra de instrumentos musicais, que não estão sequer perto do bolso das pessoas.

- Talvez devesse perceber que as provas para as orquestras profissionais só abrem quando os planetas se alinham, e normalmente só entra uma pessoa de entre centenas que concorrem.

- Talvez devesse perceber que todos os anos estraga o sonho de muitos músicos que gostariam de tocar em orquestras como profissionais… E não há público.

- Talvez devesse perceber que o povo português tem aptidões musicais muito acima da média europeia, e que TODOS os músicos estrangeiros que por aqui passam ficam pasmados com o nível cultural baixíssimo que este país tem, comparado com as aptidões do seu povo. Marc Tardue disse uma vez que os músicos com a mais cristalina musicalidade que já viu na vida… Eram portugueses.

E se for preciso mandar vir com tudo o que o PM faz para que ele perceba que a minha área está extremamente atrasada na Europa, eu fá-lo-ei. Se for preciso mandar vir com a nova ministra da cultura se ela não for flexível para ouvir os músicos do país, eu fá-lo-ei. Mas não vou cruzar os braços, porque sou músico também.

Governar bem é fácil. Basta ouvir, discutir, ponderar, argumentar, e finalmente tomar uma decisão com uma direcção diferente. Criticar é ainda mais fácil, e é nessa situação que eu estou e vou estar.

Maitê Proença – Portugal

Não tenho tido, de todo, tempo para escrever aqui. Mas surgiu-me agora mesmo uma notícia de um tal vídeo satirizando Portugal. Não tenho tempo para pôr aqui o vídeo, procurem no youtube por favor.

Vim só partilhar convosco uma ideia que me veio à cabeça:

É curioso que todos os portugueses digam mal disto e daquilo, todos digam mal do governo, da História, do que fazemos, fizemos e vamos fazer. Para nós, tudo corre mal, nada funciona, somos um povo parvo, inculto, irresponsável, etc.

Mas agora que aparece uma brasileira a dizer umas coisitas sobre o país que todos já dissemos, e a mostrar uma ignorância que mil outros apresentadores de televisão portugueses mostraram, o povo revolta-se. E isto é excelente, mostra que apesar de toda a globalização que sofremos, continuamos a ser o povo que era há 200, 400 ou 800 anos. Continuamos a recusar e a repudiar a crítica feita por outros (que não portugueses) ao nosso país. Porque eu tenho todo o direito de dizer mal dos lisboetas porque sou portuense, mas um brasileiro está aqui caladinho. E se abrir a boca para dizer mal do nosso país, tem portuenses, lisboetas, albicastrenses, farenses, vimaranenses, meio país em cima dele.

Assim, por mim essa senhora podia bem ser impedida de pôr os pés cá dentro. Podem dizer que estou a ir contra a minha política esquerdista, mas estou-me a marimbar. Da última vez que reparei, ainda sou português, e até pode vir o pai natal governar este cantinho do mundo que serei sempre português, e vou sempre indignar-me quando um estrangeiro criticar o meu país e a minha cultura.

Obrigado, Maitê Proença, por me fazeres lembrar que afinal ainda estamos em Portugal, que ainda somos como há 30 anos no 25 de Abril: Unidos quando se trata da nossa cultura e da nossa pátria. Sempre em desacordo, mas sempre unidos.

Agora vai embora. Para o teu bem.

A Idade na Música

Tenho acesso, através da plataforma na qual funciona este blog, aos termos que as pessoas pesquisam, no google, a partir dos quais vêm ter a este blog. Normalmente costumo prestar atenção a isso. Há imensas pesquisas por “problemas sociais”, que direccionam para um post, outras sobre “música aquática”, outras sobre “política”, etc.

Mas hoje encontrei um curioso: “É muito tarde para ser músico?”. E é curioso primeiro porque nunca vi uma pesquisa tão singular. Segundo porque é uma pergunta que muitos fazem sem encontrar resposta. E Terceiro porque vai directamente ao centro da existência deste blog, porque é precisamente um ponto onde a música se integra no que a rodeia.

Porque o nosso Governo investiu na educação musical dos miúdos. O que é excelente, podemos passar a falta de educação e a porcaria de ambiente que se vive nestas aulas, e ver que realmente é possível ter gente com um 8º grau a dar aulas nas escolas primárias. Há um problema paralelo que é precisamente esse: Basta ter o 8º grau, pelo que há pessoas com um curso complementar normal a dar aulas dessas, e isso provoca bastante incompetência (na minha opinião esse tipo de aulas deveria ser dado unicamente por alunos de escolas profissionais e ensino superior). Mas à parte disto, o ensino articulado está realmente articulado, faz sentido, funciona bem e é gratuito. O ensino integrado é a inovação, e também funciona bem. E o ensino profissional pouco mudou, mas também está bom (embora faltem escolas profissionais no sul do país). E o ensino supletivo fechou. Vamos esquematizar:

- Ensino Articulado – Os alunos frequentam as disciplinas de música obrigatórias, e o resto das disciplinas  numa escola pública. Terminam com o 12º ano em Música, e das disciplinas da escola pública apenas têm Português, Educação Física, Filosofia, e mais umas quantas.

- Ensino Integrado – Muito parecido com o ensino articulado, mas as disciplinas são dadas na mesma escola. Ainda não há muitas escolas neste regime, mas as que há funcionam muito bem, pois o curso funciona muito bem. Permite que até o 10º ano os alunos tenham uma relação muito próxima com a música, sem que não tenham de decidir muito cedo o que querem.

- Ensino Profissional – É o mais estrito de todos. São totalmente orientados para música, sai-se com o 12º ano em Música, e formam músicos excepcionais, com uma enorme experiência, músicos muito bons. É parecido com os outros dois regimes, mas este é mesmo destinado a músicos que decidiram cedo e querem ser muito bons.

Ora, quando tudo isto mudou houve uma grande manifestação, pouco coberta pela comunicação social, na qual os alunos e professores de música protestavam contra o fim de um outro sistema de ensino, no qual eu estudei: O ensino supletivo. Este sistema de ensino permitia que se estudasse simultaneamente no complementar de música e no ensino secundário.

Por um lado, houve coisas boas: Há mais progresso, porque os estudos não se dividem. Não há aqueles horários gigantescos das 8h às 20h devido ao número de disciplinas, por isso há mais calma e mais progresso. Por outro lado houve coisas péssimas: Obriga os alunos a decidirem seguir música muito cedo, com 15 anos.

Ou seja, nos próximos 20 anos as coisas vão estar bem. Toda a gente vai ter mais cultura, vai gostar mais de música com mais qualidade, vai haver mais público, vamos finalmente subir no nível musical e cultural. Mas o problema é que hoje em dia as portas não estão abertas àqueles que decidiram aprender música, por gosto. E para esses aprenderem música têm de ter dinheiro. Muito.

Ou seja, se o meu pai quiser aprender música, apenas pode contar com o filho para lhe ensinar o pouco que sabe. Mas não pode aprender numa escola oficial, não pode ter um 8º grau e começar a tirá-lo com 50 anos. Ou melhor, pode no Curso Livre, que é caríssimo! A cultura não está aberta para toda a gente, e aí está o problema…

A música devia ser gratuita para todos. Aí está o porquê de eu ter sido sempre contra o fim do ensino supletivo. Porque o meu instrutor de condução gostaria imenso de aprender música, tem 50 anos… E não pode. Não tem direito porque não tem idade nem tem dinheiro para o fazer. E isto não é justo, não é socialista.

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Carolina Patrocínio

Recebi esta por e-mail. A sério, o PS além de incompetente, está a chegar à fronteira da parolice. A rapariga é simpática, é gira e tal… Mas… MANDATÁRIA DO PS PARA A JUVENTUDE?

Mandatária do PS para a Juventude

Isto está a bater nos limites! A sério, isto é o cúmulo do fogo-de-artifício! Reparem na “odeio perder, prefiro fazer batota”. Espero que o PS não seja assim, tendo em conta os resultados das últimas sondagens…

Deputados a Professor Titular

Vejam-me só esta maravilha, retirada directamente do site do Ministério da Educação, da Ordem de Trabalhos de hoje:

8.                 Estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.

Vamos traduzir: Os deputados (sim, aqueles que ganham 4 mil euros por mês), os presidentes das juntas e das câmaras, etc… Agora vão poder roubar o lugar de professor titular àqueles que realmente trabalham e merecem!

O curioso é que o nosso Primeiro-Ministro concorda comigo! Diz que esta “reforma” é para premiar quem merece. Quem, os corruptos, os ricos, os famosos? Ou aqueles que trabalham para isso?

Como podem ver, basta uma pequena leitura a alguns documentos, e logo se apanha a injustiça e a corrupção que este governo faz a todo o momento! Não é só aqueles escândalos que aparecem na televisão, essa é só a ponta do icebergue. Porque estamos constamente a ser roubados, a ser ignorados e desrespeitados!

Louçã / Sócrates

Falhei, creio, na minha intenção de comentar todos os debates que ocorreram. O que é certo é que se torna para mim impossível passar uma manhã inteira a solfejar aquilo que vou tocar nas 6 horas de ensaio à tarde. E roubar 50 minutos ao solfejo é demasiado tempo para aquele que eu posso efectivamente dispensar para escrever.

Logo, vou apenas comentar este debate, pois considero-o muito importante. E logo se verá se terei mais tarde tempo para comentar outros debates. Mas vamos lá começar:

1. O “rival do BE”: Bem, não entendo como é que alguns jornalistas dizem que houve um empate. O Partido Socialista enterrou-se até ao joelho neste ponto… Mas então que falta de consideração é essa para o PS pensar que “ou ganha o PSD ou ganho eu”? Quer dizer, aqui interessa só quem ganha, quem tem o tacho. O resto, a ideologia, a governação, não interessa. Por isso diz o Sr. José Sócrates que apela ao voto no PS, para que o PS se veja livre desses chatos que são o Bloco de Esquerda que estão constantemente no Parlamento a denunciar as calúnias e a porcalhice de leis que ali se criam, destinadas na sua maioria a beneficiar amiguinhos ou até os próprios deputados.

Ou seja, neste ponto alerto as pessoas para o seguinte: Deixar de votar Bloco de Esquerda para votar Partido Socialista significa livrar o Partido Socialista de uma data de deputados bloquistas que vão fazer em água a cabeça dos governantes para que se aprove uma lei justa para todos os portugueses, e não só para os amiguinhos que lá estão a legislar. Portanto não sejam parvos, se querem mudar o vosso voto do BE para o PS, que seja por outras razões.

2. Economia: Bem, esta foi genial. O PM “deixou cair” que o caso dos Contentores foi por ajuste directo. Como se o Francisco Louçã não fosse conhecido por ir pesquisar aos documentos mais recônditos e escondidos que existem, para retirar a verdade: Foram os próprios advogados da Mota-Engil que aconselharam que fosse por ajuste directo. Ou seja, o Governo entregou directamente, de mão beijada, um projecto eterno que vai dar milhões a um só empresário, enquanto isso seria suficiente para ajudar as famílias e aumentar as pensões. Acho que o Sr. José Sócrates vai demorar dois meses a engolir esta denúncia. Até já estava a tremer, reparem.

3. Propostas de governo do BE: Primeiro: Não é uma Esquerda radical. E se o Primeiro-Ministro diz isso, está a confessar em público a sua profunda ignorância no que diz respeito à Ciência Política e às ideologias da Esquerda. Pois, ele não é da Esquerda. Segundo: O Bloco de Esquerda não fez o programa para ir para o Governo. Fez o programa para influenciar o Governo! E só se pode influenciar com ideologias marcadas! Se eu dissesse que o BE estava muito perto de ganhar as eleições, aí sim o programa seria com certeza muito diferente. E tudo porque o BE é, e nos proximos quatro anos continuará a ser, um partido da oposição!

Note-se ainda que o Primeiro-Ministro tentou, no decorrer desta proposta, “empatar” tempo para o poder roubar ao seu oponente. Só para tentar travar o chorrilho de denúncias, e para tentar evitar que o BE esclareça as suas propostas, que como se vê são exequíveis e só iriam melhorar a situação económica do país. Note-se que o Francisco Louçã é um dos melhores economistas da Europa. Não é um pseudo-engenheiro. Cá para mim, eu confiava o assunto económico a um economista, não a um homem com o 12º ano.

4. Imposto sobre as grandes fortunas: O BE explica, e faz sentido. Uma pessoa que seja rica e que não trabalhe no duro como qualquer outra pessoa, tem de dar o seu contributo ao Estado. E um imposto sobre isso seria perfeito, seria obrigar esses ricos a dispensar 1% ou 2% da sua fortuna para o Estado. O que seria mais do que suficiente para aumentar as pensões, por exemplo. E porque é que o PS não concorda? Porque isso seria retirar dinheiro a eles próprios. Os ricos. E os ricos amam o dinheiro mais do que amam os outros.

5. Política Fiscal: O PM vangloriou-se, “nós é que somos bons”, etc. E apoia uma estupidez: Os mil benefícios fiscais aqui e ali. Em vez de um sistema económico simples. O PM até bebeu água… Deve ter suado bastante quando o Francisco Louçã tomou a palavra. E porquê? Porque o BE não defende mil benefícios fiscais. O BE defende que as pessoas tenham menos impostos, menos custos, menos propinas, livros gratuitos, etc. Coisas úteis que iam tornar a economia melhor, sem dar fortunas aos empresários. Porque há uma coisa que o PS não vê: A sociedade. E o BE vê a sociedade. O Francisco Louçã anda de metro e de comboio, como eu e tu. O José Sócrates anda de BMW com motorista e com mil guarda-costas. Ou seja, o Francisco Louçã sabe perfeitamente que mais incentivos fiscais não iam ajudar a classe trabalhadora. As pessoas estão-se a marimbar para os benefícios fiscais, as pessoas querem livros gratuitos, querem propinas gratuitas (ou pelo menos mais baixas), querem medidas palpáveis, que ajudem, que não estejam constantemente a atacar o bolso das pessoas!

E sabem que mais? O Estado ia ganhar mais, e as pessoas iam ganhar mais. Os benefícios fiscais são armadilhas, há sempre um pouco que se perde nessas complicações. Além de contribuir para a despolitização do país.

Mas isto envolve a sociedade. E o Primeiro-Ministro está tão envolvido no seu mundo cor-de-rosa que não consegue perceber isso. Tanto que o Francisco Louçã teve de explicar duas vezes, e mesmo assim não entrou. Só entra mesmo para as pessoas, porque as pessoas vivem e andam de metro, autocarro e comboio. E vivem NA sociedade. Para o Primeiro-Ministro isto não faz sentido… Ele não entende, e não é num debate que vai entender. Daí o Francisco Louçã dizer que à segunda fez, o explica com mais gosto ainda. Porque está a falar para um político que não sabe, mas as pessoas que o ouvem sabem e concordam.

6. Desemprego: O PS propõe mais investimento público. O que tem piada, porque foi precisamente aquilo que eles NÃO FIZERAM. Porque raio vou eu votar num partido que promete e não faz, e ainda tem lata para voltar a prometer? Mas adiante.

Ponto de divergência: O PS propõe que as pessoas estejam mais tempo a receber um subsídio de desemprego, para que passem mais tempo sem fazer nada, a ganhar dinheiro e a estourar a Segurança Social. O BE propõe que se aumente esse subsídio, que se auxilie as pessoas a encontrar emprego, qualificando-as COM QUALIDADE (e não com “novas oportunidades”, que só geram incompetência), sem que as pessoas necessitem de ficar três ou quatro anos a dar cabo do país sem fazer um esforço para trabalhar.

Portanto relativamente ao debate em si… Creio que contrariamente ao habitual, o líder do Bloco de Esquerda não esteve muito bem. É normal, o debate nem sempre corre bem. E portanto é do dever do partido e dos militantes bloquistas explicar aquilo que ficou por explicar, exemplificar, e auxiliar o partido.

Quanto ao Sr. José Sócrates, confesso que estou surpreendido. Surpreendido porque ele se preparou, mas surpreendido também porque mostrou que não vive no mesmo mundo do que eu, nem está minimamente interessado no bem comum. Apenas nele e nas empresas que ele apoia.

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Francisco Louçã / Manuela Ferreira Leite

Ainda na onda dos debates, segue aqui mais um:

1. Nacionalizações: Francisco Louçã começa, defendendo que se deve parar com as privatizações, referindo a já mil-vezes explicada teoria de que se o Estado tem lucro, o estado pode diminuir a carga fiscal, sem riscos. Simplesmente defende (tal como todo o partido) acabar com os monopólios e nacionalizar as empresas de bens essenciais. Já a presidente do PSD defende que não são as privatizações ou as nacionalizações que influenciam a economia, mas sim a carga fiscal. Uma ideologia retirada directamente da Direita e do CDS, o que é lamentável, já que estamos a falar com uma líder Social-Democrata, e na minha terra a Social-Democracia continua a pertencer ao Socialismo. Para mais informações, consultar um qualquer livro de Ciência Política (como o de António José Fernandes, ou de Adriano Moreira).

2. Segurança Social: O PSD não vai mexer na Segurança Social. O que é desastroso, visto que é precisamente a Segurança Social que está a causar problemas neste país! Isto basta para perder metade dos votos… Ah, mas espera. Ninguém quer saber disso. Sendo assim, continuemos para a argumentação do BE. O BE explica o problema que surgiu na SS, e expõe a solução para esse problema.

3. Emprego: O Bloco de Esquerda acredita que as políticas actualmente desenvolvidas, incluindo no sistema político do PSD, não funcionam. O desemprego existe sempre, e aumenta sempre. E portanto propõe novas medidas, “corajosas” diz ele, para melhorar este sector da sociedade. Criar regras na política. E eu concordo.

4. Serviço Nacional de Saúde: A líder do PSD explica que não tem intenções de mexer num serviço público que funciona. E aí eu concordo com ela. O problema é que o SNS não funciona. E assim o Francisco Louçã explica porquê, concordando com algumas parcerias público-privadas, mas explicando a pouca eficiência do sector privado. E aqui está o problema: O sector privado também não funciona bem.

5. Homossexualidade: Não creio que seja um problema que valha a pena comentar. Os dois líderes expressaram opiniões puramente ideológicas, e eu respeito ambas, não pondo ao barulho a minha própria ideia.

6. TVI: Mais areia aos olhos, abstenho-me de opiniões.

Sócrates / Jerónimo de Sousa

Por motivos de tempo (nos quais perco cerca de duas horas a escrever um post), não vou poder continuar a alongar-me muito nos meus comentários aos debates. Meti-me num projecto musical que me está a tirar algum tempo, logo vou apenas apontar algumas linhas importantes, até porque a esta altura estou com alguns debates “em atraso”.

1. As divergências entre o PS (que agora é direita) e o PCP: O Sr. Engenheiro fugiu ao tema, meus amigos. Claro que há divergências entre os dois partidos, mas admite logo que o PS ainda é esquerda, e descoze-se em críticas ao PSD, que quer abolir o Estado Social, etc. E a pergunta desvia-se para o alvo da Esquerda. O que é estúpido, o alvo da Esquerda é e sempre será a Direita. E aí Jerónimo de Sousa esteve bem, não especificou quem é o “inimigo”, pois o inimigo é aquilo que faz com que a Direita (PS e PSD) não sejam Esquerda. E o PM responde com a gravação do costume, defendendo a incompetência, a má distribuição de dinheiro, etc, que fez. Apenas lhe chama outros nomes, tal como Novas Oportunidades e Aumento do Salário Mínimo. Sempre soam melhor.

2. O PS poderá vir a precisar do apoio do PCP? O PM fugiu ao tema. E fez bem, claro que o PS não vai pedir nada a ninguém, o PS não ouve ninguém. Não faz sentido, esta pergunta! Não vou falar da cassete chamada José Sócrates… Não vale a pena.

3. O diálogo Sindicatos – PS: Creio que é outro tema pouco importante. Também já deu para perceber a casmurrice do governo, principalmente na questão dos professores em protesto e da grande manifestação, após a qual a Sra. Ministra da Educação não ouviu, não pensou, não criticou. O PS defende-se, dizendo que os sindicatos são importantes, e tal… São pois, mas ele continua a não lhes dar ouvidos. A conversa muda para o código de trabalho, e essas liberdades todas… O PCP critica, e o PS põe a cassete a dar, lado B. Adiante.

4. A Educação: O que vai mudar se o PS ganhar as eleições? Nada. Ele só quer “delicadeza” para tentar arranjar aqueles votos… E para desviar o assunto, põe a cassete a dar, novamente. Parece aquelas cassetes que se punham antigamente nos carros antigos, que lá ficavam durante dois anos e já toda a gente conhecia a melodia de cor. Até aquele tio que só nos visita no Natal. O Jerónimo de Sousa denuncia a incompetência, denuncia que o PS fez com que as crianças estejam menos tempo com os pais, etc. E fala da casmurrice com que o PS defendeu uma pseudo-reforma, fazendo ele muito bem.

5. Emprego: Permitam-me que salte esta parte. A cassete continua, e o Sr. Jerónimo não disse mais do que tem dito constantemente… Destaque só para a parte da cassete que incentiva as pessoas a não fazerem nada durante 3 anos, e a estourar o dinheiro dos impostos. É uma estupidez… Se o Governo criasse emprego, não seria preciso tanto tempo. Meio ano chegava.

6. Quanto ao caso TVI, não vou comentar mesmo. Recuso-me, porque este blogue não serve para ajudar o PS a atirar areia aos olhos das pessoas. Este blogue é suposto comentar a realidade.

Louçã / Jerónimo de Sousa

Bem… Antes de mais quero expressar o meu profundo descontentamento pela pouca importância que a comunicação social está a dar a estes debates. Foi por mero acaso que soube que existiu um debate entre o Francisco Louçã e o Jerónimo de Sousa, e foi o cabo dos trabalhos para encontrar esse vídeo na Internet. É uma miséria.

Mas ainda antes de começar a ouvir o debate, creio que não será um debate com muito por onde se lhe pegue. O Comunismo está parado, não é uma Esquerda em movimento, e como tal é complicado que o PCP tenha argumentos realistas contra o BE. Mesmo assim louvo a iniciativa, e ainda bem que o PCP existe. Mas vamos lá começar:

1. Nacionalização da banca comercial: É impressionante como um político consegue falar sem dizer nada. Citou a constituição, falou do caso do BPN (mais areia aos olhos, acho incrível… e isto repete-se no debate com Sócrates), e nem sequer falou da ideologia Comunista.

Misturando uma crítica perfeita ao governo com uma proposta de solução concreta, Louçã comentou (não respondeu, pois não tinha um tema ainda no ar). Não há muito a dizer sobre isto, basta pensar que estamos a ouvir um senhor que vive NA sociedade, e não anda propriamente de BMW escoltado num mundo cor-de-rosa povoado de classes sociais felizes. Chocou os telespectadores com casos, pequenos exemplos que denunciam o roubo que existe na sociedade, a falta de igualdade, como as declarações ilegais de salários mínimos. Eu próprio conheço imensos casos de gente que tem bolsa na universidade porque o paizinho empresário declara o salário mínimo nacional. A Esquerda não quer que a polícia ande atrás dos ricos, simplesmente quer que cada um dê um pouco daquilo que tem. Sempre uma percentagem. Quem tem muito, dá muito, quem tem pouco dá pouco. Fácil, simples, não é preciso complicar muito nem é preciso ter uma grande inteligência para perceber isto.

2. Grandes obras públicas:  São argumentos demasiado fortes do Francisco Louçã, fortes, determinados, extremamente focalizados, como um sniper a apontar para a presa. Não discorda de todas as grandes obras públicas, apenas de algumas como o TGV (impecável a simplicidade com que atacou esse projecto), não descorando a importância de uma ligação ferroviária ao resto da Europa.

Jerónimo de Sousa: A obra tem de ser pública e tem de incorporar a indústria nacional! Fiquei chocado quando ouvi isso… Então espera, ele está a dizer isso ao líder de um partido de Esquerda? Ele tem de falar NA esquerda, ele tem de esmifrar as “tripas da esquerda” em busca de uma divergência, algo que realmente incite o debate! Está-se a pôr ao lado do Bloco de Esquerda, e o Bloco de Esquerda ataca aquilo que realmente lhe interessa: O Governo. No fundo, o líder do PCP limita-se a dar tempo de antena ao Bloco de Esquerda, com uns intervalos de dois minutos e meio para os telespectadores irem buscar umas bolachas e um leite quente… O que é bom (não a parte das bolachas, claro), sem dúvida, mas podia ceder os seus dois minutos e meio à “nova esquerda” representada à sua frente.

3. Qual é o impacto no défice do aumento das condições de vida? Jerónimo faz uso dos argumentos do poder de compra, aquela situação que o próprio Paulo Portas referiu… É uma boa proposta. É pena metade dos partidos concordarem com isso… Não nos está a dizer nada de novo.

Pelo contrário Francisco Louçã atacou com o Socialismo. Antes da economia, a qualidade de vida. E assim se resolverá o problema, certamente, e eu concordo. E creio que todo o partido concorda também. A partir do melhoramento da qualidade de vida, o problema económico ficará automaticamente resolvido. E não se fica pela teoria: Uma pequena percentagem de imposto sobre as grandes fortunas já aumentaria as pensões em Portugal. E pergunta o povo: Porque é que o Governo nunca fez isso? 1. Porque o Governo não ouve, só se ouve a si próprio, e 2. Porque os políticos são uma data de corruptos, e não lhes interessam essas medidas.

4. A Avaliação dos Professores:  O líder do Bloco de Esquerda resolveu claramente o problema logo nas primeiras palavras, com um argumento “na mouche”: Os professores não se estão a recusar serem avaliados. Estão a recusar serem avaliados daquela forma. E o Bloco de Esquerda responde com uma política pensada, responsável, Socialista, que alcança um grande consenso entre os professores.

Quanto à intervenção do Jerónimo de Sousa… Não há ideias. Eu gosto do Jerónimo de Sousa, gostaria de um dia ter uma conversa Histórica, ideológica, religiosa, com ele. Mas não teve uma boa intervenção neste debate… Teve uma profunda falta de comparência.

5. TVI: Esta brincadeira do Jornal Nacional é atirar areia aos olhos ao país porque algo muito importante se deve estar a passar por detrás disto. Portanto acho vergonhoso da parte da jornalista tomar iniciativa de perder dez minutos neste tema. Mas é que nem vou comentar mais, avancemos.

6. A Esquerda: Não percebo que raio de pergunta é esta. As pessoas é que têm de ler o programa de governo e decidir se preferem votar num partido ou noutro, obviamente que nenhum dos dois vai dizer “não vote nele, ele é um tono”. Que estupidez… Eu sei que o povo adora que os políticos se insultem. O Governo adora isso, só converge com a sua estratégia de despolitização. Mas quem manda neste debate é a Esquerda. A verdadeira Esquerda, transparente e interessada.

E termina assim este debate, com uma vitória esmagadora do Bloco de Esquerda, com uma cabeça de lista carismática, coerente, socialista. Não é grave, não foi um debate tenso, nem precisava de ser. Há uma certa simpatia entre os dois partidos, pois o inimigo é a Direita, é a corrupção, o “tacho”, as brincadeiras com o povo.