Num hipermercado compras tudo o que precisas

Neste momento preciso de uma capa nova para partituras, de uma estante, de jantar, de fita-cola, de um router novo, de um carro, de um bilhete de avião… Preciso de muita coisa. E o que faço? Vou a um hipermercado, compro tudo isto, e volto para casa. Daqui a pouco vão-me faltar mais coisas, vou a um hipermercado, compro tudo isso, e volto para casa. Hoje em dia compra-se tudo num hipermercado, já viram? Desde papel higiénico até frango de churrasco, passando por carrinhos de mão, t-shirts, cereais em barras… Tudo.

Chegamos a casa e vemos que o mundo está uma miséria. Todos sabemos disso, é homicidas, é suicidas, são helicópteros que caem, pais que violam filhos, filhos que batem nos pais, salários que descem, preços que sobem, a gasolina que aumenta o preço… Saímos à rua e é vizinhos desempregados, irmãos com pouco dinheiro, primos recém-licenciados a trabalhar nas obras, enfim… Tudo está mau. Eu sei que está tudo mau. Eu vejo, eu ligo as notícias e todos os meios de comunicação social fazem questão de me enfiar pelo ouvido dentro que isto está tudo mau. Obrigado, não preciso de mais queixas.

Nós precisamos de nos irritar com isto tudo. Precisamos de algo que nos faça abrir os olhos de tal forma que todos vamos dar um salto na cadeira ou no sofá, e vamos virar tudo isto ao contrário. Precisamos disso, para que vejamos que afinal… No hipermercado falta muita coisa. Mesmo muita coisa…

Conduzir

Que bom, tirei a carta. Que bom, fui mentalmente sodomizado por um examinador que precisa tanto de humilhar e rebaixar os outros para se sentir bem, como um fumador precisa de ter a boca ocupada, nem que seja com chiclet. É pena é que para os examinadores não exista uma chiclet que compense o prazer de mandar vir com um pisca feito antes de tempo ou com uma entrada numa rotunda deserta a mais de 10km/h. Bem, talvez uma boneca insuflável, ou então um suborno chorudo (que terá de ser no mínimo superior ao preço de uma boneca insuflável).

É certo que no início adoramos conduzir, toda a gente adorava conduzir quando tirou a carta, no fundo ainda somos crianças a brincar com os popós. Mas eu compreendo o porquê de ao fim de algum tempo se tornar um fardo. Vamos lá ver: Sai-se da auto-estrada, e iniciamos logo aquele percurso fabuloso em que NENHUMA tampa de saneamento ou águas está ao nível da estrada. É impressionante, porque estamos a falar de 0% de tampas que não estejam quer acima, quer abaixo do nível da estrada.

Depois de tentarmos evitar essas fabulosas tampas (o que se torna impossível visto a sua localização aleatória), encontramos autocarros a parar no meio da rua para deixar entrar as pessoas (espectacular, tendo em conta que as paragens são nos sítios mais fantásticos que se pode imaginar, desde rotundas até cruzamentos).

Mais à frente aparece-nos o sinal de escolas. Vamos lá abrandar um pouco… 40km/h, 30km/h, 20km/h, 10km/h… parei. Continuo parado. Continuo parado. Continuo parado. Tento ver o que se passa, ah é um miúdo a sair do carro que parou no meio da rua. O trânsito segue, faço ponto de embraiagem, ando dois metros e eis que… Parei novamente. Nova criança a sair. Mais dois metros, mais uma criança, mais dois metros, mais uma criança. Fico a pensar se não haverá alguma espécie de controlo de dopagem na entrada da escola, porque enfim, se há cinco carros seguidos com crianças lá dentro, não vejo a necessidade de sair uma de cada vez. Geralmente os putos levam uma mochila e pronto, é só pegar no casaco e sair. Nem me importo de esperar mais dois segundos para o miúdo receber o beijo do pai, mas geralmente os pais não dão beijos aos filhos, que estão sempre com pressa. Estamos sempre com pressa quando se trata de assuntos realmente importantes.

Seguimos um pouco mais e vemos um café… O que seria normal e até bonito, se não houvesse carros estacionados, mais uns quantos em segunda fila, só não põem uns em cima dos outros porque é chato estar a incomodar o seguro com danos colaterais provocados pela vontade incontrolável de ver se o benfica já marcou um golo no tempo que decorreu entre a saída de casa e a chegada ao café. Além de que por favor… O benfica marcar um golo? Mas qual benfica?

Mais um pouco e vemos o carro do talho que estacionou mesmo em frente aos semáforos. Mais um pouco e vemos uma rua que está vedada ao trânsito e portanto o autocarro tendo 2 metros de largura tem de passar numa rua (de dois sentidos) cuja largura é 2.05 metros. Mais um pouco e vemos três carros parados ao lado dos correios…

Isto até se torna divertido no início, mas ao fim de algum tempo já devemos ter uma vontade gigantesca de equiparmos o carro com lança-granadas e ao mínimo sinal de estacionamento no meio da rua, disparar sem olhar a quem. É uma profunda falta de respeito, minha gente! Se querem estacionar, OK, andem uns metros! Mas que raio! Não podem deixar o miúdo a dois metros da entrada da escola porquê, será que ele vai ser raptado por um bando de pinguins em fúria por dar mais quatro passinhos? Será que isso justifica parar novamente o trânsito?

Custo dos Transportes e a Política Ambiental

Há umas semanas, a CP voltou a aumentar o preço dos bilhetes. Agora, para ir do Porto a Lisboa num Intercidades, paga-se 20€. O que é um abuso, é pura e simplesmente absurdo, principalmente para quem faz viagens regulares.

Veja-se o caso dos estudantes, que creio terem o direito de estar com a família. Gostam de ir a casa aos fins-de-semana, ver a família. Creio que é um direito que têm… Não é uma goluseima, é um direito, é qualidade de vida. O Estado não deve cooperar com iniciativas que façam os seus cidadãos tristes, solitários e a viver mal. Deve sim cooperar para que todos se sintam bem no país em que vivem.

Eu acho que as viagens devem ser pagas, sim, porque não faz sentido as pessoas irem passear de borla, mas 21€ para ir do Porto a Lisboa? Haja juízo! Uma família do Porto que tenha um filho a estudar na Covilhã e ganhe o ordenado mínimo, tem de se sujeitar a não ver o filho, a ter menor qualidade de vida que aqueles que têm dinheiro para ir a casa todos os fins-de-semana.

É uma injustiça, estão a dividir as pessoas e a tirar direitos a quem não tem dinheiro! Tudo para sustentar um Estado que podia perfeitamente deixar de patrocinar bancos que vão à falência de forma fraudulenta, para injectar algum dinheiro (não falo em milhões, sequer) nas empresas de transportes!

E depois vêm aqueles da pseudo-direita dizer “achas caro? vai de expresso”. Claro, porque na rede expressos eu já vi motoristas a falar ao telemóvel, a escrever, a dançar, a cantar, com os pés no tablier, de tudo um pouco. E como eu prefiro uma viagem segura e confortável ao invés de colocar a minha vida nas mãos de irresponsáveis e incompetentes, tenho de pagar mais por isso. O Estado não zela pela segurança dos seus cidadãos.

E já nem falo na brincadeira da “política ambiental”. Para mim, a “política ambiental” do Sr. Primeiro-Ministro e do nosso fabuloso Governo, é pura mentira. É mentira, é só para dizer que faz, para atirar areia aos olhos. Diz ele que o TGV ajuda a reduzir as emissões de gazes para a atmosfera. E que tal começar a medir as emissões de gazes que as pessoas das terras mais distantes produzem, quer através dos autocarros, quer através dos meios de transportes privados (que são muito mais?).

Ora vejam lá o mapa da rede ferroviária portuguesa: http://www.cp.pt/StaticFiles/Imagens/PDF/Passageiros/mapas/mapa_servicos.pdf

Vejam só a quantidade de território que não tem sequer uma linha perto. E lembrem-se que metade destas linhas só funciona meia dúzia de vezes por dia, e paga-se valores estúpidos por isso. Duvido que alguma linha tenha sido criada desde o tempo do Rei D. Carlos I.

1. E agora imaginem o que é uma pessoa da Guarda querer-se deslocar para Évora. Duas capitais de Distrito, imaginem! Vamos ao site da CP e… Temos duas hipóteses, uma às 7.22h e outra às 13.22h, a primeira demora 9 horas (!!!!!) e a segunda demora 7 horas. O preço do bilhete por acaso nem é muito caro, comparativamente à distância: 27.50 euros.

2. Novo exemplo: Guarda – São João da Madeira. Duas cidades que não distam assim tanto uma da outra, mas que têm bastante população. Mínimo de 5.48 horas de viagem, preço: 17.05€. Com três transbordos e direito a uma viagem a pé pelo meio.

Digam lá se isto não é ridículo!

Política Ambiental do Governo do Sr. José Sócrates = 0%. Treta, brincadeira, é colar cartazes e mentir às pessoas. Creio que deixei neste tópico argumentos mais-do-que suficientes para dizer isto com toda a consciência…

Politicamente

Tenho andado afastado, e provavelmente continuarei, devido à minha participação no fórum POLITICAMENTE.ORG.

Este fórum é sobre política, e eu sinto-me melhor a debater ideias do que simplesmente largá-las neste blog para quem as quiser ler. No entanto, assim que surja alguma conclusão, nesse fórum, será postada aqui.

Ou seja, a nível de política este blog não vai ter tanto movimento. O movimento será de diálogo, no fórum que vos convido a todos a visitar se quiserem debater ideias:

http://politicamente.org.

Obrigado!

José Pedro Sousa

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Agora é que vão ser elas

A nova ministra da cultura é pianista. À partida foi uma coisa boa saber isto, porque sempre é melhor ter uma ministra da cultura que realmente percebe de cultura, do que um ministro cuja preferência musical são as três valsas para violino de Chopin (que muito provavelmente inventou naquele preciso momento).

Claro que o problema mantém-se: A cultura estará sempre na última das prioridades. E não se pode dizer que o anterior ministro fez pouca coisa quando todos sabemos que o orçamento de estado para a cultura foi de 0.3%, o que é ridículo. Mas cá para mim, fico mais descansado de saber que temos uma pianista a dirigir um orçamento que o nosso conhecido Sócrates nos prometeu ser maior.

No fundo, a cultura não está nas nossas mãos. A cultura está nas mãos do nosso PM, que:

- Talvez devesse começar a ter aulas de “como ouvir música” para perceber que o nível em portugal está a ir um pouco por água abaixo.

- Talvez devesse perceber que os músicos que estão a dar AECs não percebem peva de pedagogia, e muito menos aquela cambada de incompetentes que sai todos os anos das ESE.

- Talvez devesse perceber que é importantíssimo ensinar os seniores a ouvir música, porque se o pai não quer ir ao concerto, o filho também não vai.

- Talvez devesse perceber que não temos uma única sala de espectáculos realmente feita para música, e que a Casa da Música foi um estouro de dinheiro para uma sala que nem para ópera serve, e é pior que uma sala de teatro.

- Talvez devesse perceber que o ensino superior de música está a abarrotar de professores incompetentes.

- Talvez devesse perceber que uma grande percentagem dos alunos das escolas profissionais de música gostariam de ir para o estrangeiro, porque sabem que só no estrangeiro é que cumprirão os seus objectivos. Muitos não vão porque não têm dinheiro. Só mesmo por isso.

- Talvez devesse perceber que o estado ajuda com uns belos 0% na compra de instrumentos musicais, que não estão sequer perto do bolso das pessoas.

- Talvez devesse perceber que as provas para as orquestras profissionais só abrem quando os planetas se alinham, e normalmente só entra uma pessoa de entre centenas que concorrem.

- Talvez devesse perceber que todos os anos estraga o sonho de muitos músicos que gostariam de tocar em orquestras como profissionais… E não há público.

- Talvez devesse perceber que o povo português tem aptidões musicais muito acima da média europeia, e que TODOS os músicos estrangeiros que por aqui passam ficam pasmados com o nível cultural baixíssimo que este país tem, comparado com as aptidões do seu povo. Marc Tardue disse uma vez que os músicos com a mais cristalina musicalidade que já viu na vida… Eram portugueses.

E se for preciso mandar vir com tudo o que o PM faz para que ele perceba que a minha área está extremamente atrasada na Europa, eu fá-lo-ei. Não vou cruzar os braços, porque sou músico.

Governar bem é fácil. Basta ouvir, discutir, ponderar, argumentar, e finalmente tomar uma decisão com uma direcção diferente. Criticar é ainda mais fácil, e é nessa situação que eu estou e vou estar.

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Maitê Proença – Portugal

Não tenho tido, de todo, tempo para escrever aqui. Mas surgiu-me agora mesmo uma notícia de um tal vídeo satirizando Portugal. Não tenho tempo para pôr aqui o vídeo, procurem no youtube por favor.

Vim só partilhar convosco uma ideia que me veio à cabeça:

É curioso que todos os portugueses digam mal disto e daquilo, todos digam mal do governo, da História, do que fazemos, fizemos e vamos fazer. Para nós, tudo corre mal, nada funciona, somos um povo parvo, inculto, irresponsável, etc.

Mas agora que aparece uma brasileira a dizer umas coisitas sobre o país que todos já dissemos, e a mostrar uma ignorância que mil outros apresentadores de televisão portugueses mostraram, o povo revolta-se. E isto é excelente, mostra que apesar de toda a globalização que sofremos, continuamos a ser o povo que era há 200, 400 ou 800 anos. Continuamos a recusar e a repudiar a crítica feita por outros (que não portugueses) ao nosso país. Porque eu tenho todo o direito de dizer mal dos lisboetas porque sou portuense, mas um brasileiro está aqui caladinho. E se abrir a boca para dizer mal do nosso país, tem portuenses, lisboetas, albicastrenses, farenses, vimaranenses, meio país em cima dele.

Assim, por mim essa senhora podia bem ser impedida de pôr os pés cá dentro. Podem dizer que estou a ir contra a minha política esquerdista, mas estou-me a marimbar. Da última vez que reparei, ainda sou português, e até pode vir o pai natal governar este cantinho do mundo que serei sempre português, e vou sempre indignar-me quando um estrangeiro criticar o meu país e a minha cultura.

Obrigado, Maitê Proença, por me fazeres lembrar que afinal ainda estamos em Portugal, que ainda somos como há 30 anos no 25 de Abril: Unidos quando se trata da nossa cultura e da nossa pátria. Sempre em desacordo, mas sempre unidos.

Agora vai embora. Para o teu bem.

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A Idade na Música

Tenho acesso, através da plataforma na qual funciona este blog, aos termos que as pessoas pesquisam, no google, a partir dos quais vêm ter a este blog. Normalmente costumo prestar atenção a isso. Há imensas pesquisas por “problemas sociais”, que direccionam para um post, outras sobre “música aquática”, outras sobre “política”, etc.

Mas hoje encontrei um curioso: “É muito tarde para ser músico?”. E é curioso primeiro porque nunca vi uma pesquisa tão singular. Segundo porque é uma pergunta que muitos fazem sem encontrar resposta. E Terceiro porque vai directamente ao centro da existência deste blog, porque é precisamente um ponto onde a música se integra no que a rodeia.

Porque o nosso Governo investiu na educação musical dos miúdos. O que é excelente, podemos passar a falta de educação e a porcaria de ambiente que se vive nestas aulas, e ver que realmente é possível ter gente com um 8º grau a dar aulas nas escolas primárias. Há um problema paralelo que é precisamente esse: Basta ter o 8º grau, pelo que há pessoas com um curso complementar normal a dar aulas dessas, e isso provoca bastante incompetência (na minha opinião esse tipo de aulas deveria ser dado unicamente por alunos de escolas profissionais e ensino superior). Mas à parte disto, o ensino articulado está realmente articulado, faz sentido, funciona bem e é gratuito. O ensino integrado é a inovação, e também funciona bem. E o ensino profissional pouco mudou, mas também está bom (embora faltem escolas profissionais no sul do país). E o ensino supletivo fechou. Vamos esquematizar:

- Ensino Articulado – Os alunos frequentam as disciplinas de música obrigatórias, e o resto das disciplinas  numa escola pública. Terminam com o 12º ano em Música, e das disciplinas da escola pública apenas têm Português, Educação Física, Filosofia, e mais umas quantas.

- Ensino Integrado – Muito parecido com o ensino articulado, mas as disciplinas são dadas na mesma escola. Ainda não há muitas escolas neste regime, mas as que há funcionam muito bem, pois o curso funciona muito bem. Permite que até o 10º ano os alunos tenham uma relação muito próxima com a música, sem que não tenham de decidir muito cedo o que querem.

- Ensino Profissional – É o mais estrito de todos. São totalmente orientados para música, sai-se com o 12º ano em Música, e formam músicos excepcionais, com uma enorme experiência, músicos muito bons. É parecido com os outros dois regimes, mas este é mesmo destinado a músicos que decidiram cedo e querem ser muito bons.

Ora, quando tudo isto mudou houve uma grande manifestação, pouco coberta pela comunicação social, na qual os alunos e professores de música protestavam contra o fim de um outro sistema de ensino, no qual eu estudei: O ensino supletivo. Este sistema de ensino permitia que se estudasse simultaneamente no complementar de música e no ensino secundário.

Por um lado, houve coisas boas: Há mais progresso, porque os estudos não se dividem. Não há aqueles horários gigantescos das 8h às 20h devido ao número de disciplinas, por isso há mais calma e mais progresso. Por outro lado houve coisas péssimas: Obriga os alunos a decidirem seguir música muito cedo, com 15 anos.

Ou seja, daqui a 20 anos as coisas vão estar bem. Toda a gente vai ter mais cultura, vai gostar mais de música com mais qualidade, vai haver mais público, vamos finalmente subir no nível musical e cultural. Mas o problema é que hoje em dia as portas não estão abertas àqueles que decidiram aprender música, por gosto. E para esses aprenderem música têm de ter dinheiro. Muito.

Ou seja, se o meu pai quiser aprender música, apenas pode contar com o filho para lhe ensinar o pouco que sabe. Mas não pode aprender numa escola oficial, não pode ter um 8º grau e começar a tirá-lo com 50 anos. Ou melhor, pode no Curso Livre, que é caríssimo! A cultura não está aberta para toda a gente, e aí está o problema…

A música devia ser gratuita para todos. Aí está o porquê de eu ter sido sempre contra o fim do ensino supletivo. Porque o meu instrutor de condução gostaria imenso de aprender música, tem 50 anos… E não pode. Não tem direito porque não tem idade nem tem dinheiro para o fazer. E isto não é justo.

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Carolina Patrocínio

Recebi esta por e-mail. A sério, o PS além de incompetente, está a chegar à fronteira da parolice. A rapariga é simpática, é gira e tal… Mas… MANDATÁRIA DO PS PARA A JUVENTUDE?

Mandatária do PS para a Juventude

Isto está a bater nos limites! A sério, isto é o cúmulo do fogo-de-artifício! Reparem na “odeio perder, prefiro fazer batota”. Espero que o PS não seja assim, tendo em conta os resultados das últimas sondagens…

Deputados a Professor Titular

Vejam-me só esta maravilha, retirada directamente do site do Ministério da Educação, da Ordem de Trabalhos de hoje:

8.                 Estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.

Vamos traduzir: Os deputados (sim, aqueles que ganham 4 mil euros por mês), os presidentes das juntas e das câmaras, etc… Agora vão poder roubar o lugar de professor titular àqueles que realmente trabalham e merecem!

O curioso é que o nosso Primeiro-Ministro concorda comigo! Diz que esta “reforma” é para premiar quem merece. Quem, os corruptos, os ricos, os famosos? Ou aqueles que trabalham para isso?

Como podem ver, basta uma pequena leitura a alguns documentos, e logo se apanha a injustiça e a corrupção que este governo faz a todo o momento! Não é só aqueles escândalos que aparecem na televisão, essa é só a ponta do icebergue. Porque estamos constamente a ser roubados, a ser ignorados e desrespeitados!

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O Socialismo em Portugal

Em Portugal, grande parte das pessoas estão despolitizadas. Ou seja, não têm interesse pela política, ou pura e simplesmente pensam que é tudo uma cambada. É verdade, meus amigos, mas temos de fazer uso dessa mentalidade para evoluirmos.

E devido a esta mentalidade, as pessoas têm actualmente uma ideia errada do Socialismo. Algumas pensam que é permitir que se faça tudo, sem que haja uma autoridade. Outras pensam que é distribuir os bens por toda a gente, não ligando àqueles que merecem e aos que não merecem. Outras pensam que é a mesma coisa que comunismo.

Por isso eu tenho intenções de fazer convosco uma análise: O que é o Socialismo? Michael Newman detém a definição mais aproximada:

Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação

Ora com uma definição destas, pode-se obter muitas coisas. Muitas definições, muitas ideologias. Pois é, meus amigos, um socialista nunca pensa da mesma forma do que o colega do lado. Mas podemos definir que o Socialismo defende a propriedade pública, defende que as pessoas trabalhem para o Estado, tendo deste uma gama variada de serviços públicos. Da mesma forma, também se entende que todos devem ter iguais oportunidades. De estudar, de trabalhar, de crescer, de aprender…

O que muita gente pensa é que o Socialismo vai desembocar no Comunismo. O que não é certo. Morris detém a definição mais fiel de Comunismo:

O Comunismo (do latim communis = “comum”) é um sistema económico, bem como uma doutrina política e social, cujo objectivo é a criação de uma sociedade sem classes, sem Estado, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a consequente abolição da propriedade privada e caracterizada pelo controlo dos meios de produção pelos trabalhadores através de associações livres de produtores.

Basta ler atentamente para se perceber a grande diferença. O Comunismo defende a abolição da propriedade privada, enquanto que o Socialismo advoga a propriedade pública. Esta é a parte da definição que pode causar mais confusão, mas eu explico melhor: O Socialismo não está contra a propriedade privada. Está a favor da propriedade pública. Defende os hospitais públicos, as escolas públicas, etc, mas não pretende que se acabe com os hospitais privados, as escolas privadas, etc.

Quanto ao resto das diferenças entre as duas definições, está à vista. São totalmente diferentes. Pode-se dizer que são ambas de Esquerda (embora não seja totalmente verdade no que diz respeito ao Socialismo), mas são bastante diferentes.

Espero que este post tenha esclarecido algumas dúvidas, embora seja um post incompleto, já que não foco a sociedade. Apenas foco os pontos em que pode haver maior confusão, e nos quais levam as pessoas confundir Socialismo com Comunismo, quando são ideologias totalmente diferentes.