Tenho andado afastado, e provavelmente continuarei, devido à minha participação no fórum POLITICAMENTE.ORG.
Este fórum é sobre política, e eu sinto-me melhor a debater ideias do que simplesmente largá-las neste blog para quem as quiser ler. No entanto, assim que surja alguma conclusão, nesse fórum, será postada aqui.
Ou seja, a nível de política este blog não vai ter tanto movimento. O movimento será de diálogo, no fórum que vos convido a todos a visitar se quiserem debater ideias:
A nova ministra da cultura é pianista. À partida foi uma coisa boa saber isto, porque sempre é melhor ter uma ministra da cultura que realmente percebe de cultura, do que um ministro cuja preferência musical são as três valsas para violino de Chopin (que muito provavelmente inventou naquele preciso momento).
Claro que o problema mantém-se: A cultura estará sempre na última das prioridades. E não se pode dizer que o anterior ministro fez pouca coisa quando todos sabemos que o orçamento de estado para a cultura foi de 0.3%, o que é ridículo. Mas cá para mim, fico mais descansado de saber que temos uma pianista a dirigir um orçamento que o nosso conhecido Sócrates nos prometeu ser maior.
No fundo, a cultura não está nas nossas mãos. A cultura está nas mãos do nosso PM, que:
- Talvez devesse começar a ter aulas de “como ouvir música” para perceber que o nível em portugal está a ir um pouco por água abaixo.
- Talvez devesse perceber que os músicos que estão a dar AECs não percebem peva de pedagogia, e muito menos aquela cambada de incompetentes que sai todos os anos das ESE.
- Talvez devesse perceber que é importantíssimo ensinar os seniores a ouvir música, porque se o pai não quer ir ao concerto, o filho também não vai.
- Talvez devesse perceber que não temos uma única sala de espectáculos realmente feita para música, e que a Casa da Música foi um estouro de dinheiro para uma sala que nem para ópera serve, e é pior que uma sala de teatro.
- Talvez devesse perceber que o ensino superior de música está a abarrotar de professores incompetentes.
- Talvez devesse perceber que uma grande percentagem dos alunos das escolas profissionais de música gostariam de ir para o estrangeiro, porque sabem que só no estrangeiro é que cumprirão os seus objectivos. Muitos não vão porque não têm dinheiro. Só mesmo por isso.
- Talvez devesse perceber que o estado ajuda com uns belos 0% na compra de instrumentos musicais, que não estão sequer perto do bolso das pessoas.
- Talvez devesse perceber que as provas para as orquestras profissionais só abrem quando os planetas se alinham, e normalmente só entra uma pessoa de entre centenas que concorrem.
- Talvez devesse perceber que todos os anos estraga o sonho de muitos músicos que gostariam de tocar em orquestras como profissionais… E não há público.
- Talvez devesse perceber que o povo português tem aptidões musicais muito acima da média europeia, e que TODOS os músicos estrangeiros que por aqui passam ficam pasmados com o nível cultural baixíssimo que este país tem, comparado com as aptidões do seu povo. Marc Tardue disse uma vez que os músicos com a mais cristalina musicalidade que já viu na vida… Eram portugueses.
E se for preciso mandar vir com tudo o que o PM faz para que ele perceba que a minha área está extremamente atrasada na Europa, eu fá-lo-ei. Não vou cruzar os braços, porque sou músico.
Governar bem é fácil. Basta ouvir, discutir, ponderar, argumentar, e finalmente tomar uma decisão com uma direcção diferente. Criticar é ainda mais fácil, e é nessa situação que eu estou e vou estar.
Não tenho tido, de todo, tempo para escrever aqui. Mas surgiu-me agora mesmo uma notícia de um tal vídeo satirizando Portugal. Não tenho tempo para pôr aqui o vídeo, procurem no youtube por favor.
Vim só partilhar convosco uma ideia que me veio à cabeça:
É curioso que todos os portugueses digam mal disto e daquilo, todos digam mal do governo, da História, do que fazemos, fizemos e vamos fazer. Para nós, tudo corre mal, nada funciona, somos um povo parvo, inculto, irresponsável, etc.
Mas agora que aparece uma brasileira a dizer umas coisitas sobre o país que todos já dissemos, e a mostrar uma ignorância que mil outros apresentadores de televisão portugueses mostraram, o povo revolta-se. E isto é excelente, mostra que apesar de toda a globalização que sofremos, continuamos a ser o povo que era há 200, 400 ou 800 anos. Continuamos a recusar e a repudiar a crítica feita por outros (que não portugueses) ao nosso país. Porque eu tenho todo o direito de dizer mal dos lisboetas porque sou portuense, mas um brasileiro está aqui caladinho. E se abrir a boca para dizer mal do nosso país, tem portuenses, lisboetas, albicastrenses, farenses, vimaranenses, meio país em cima dele.
Assim, por mim essa senhora podia bem ser impedida de pôr os pés cá dentro. Podem dizer que estou a ir contra a minha política esquerdista, mas estou-me a marimbar. Da última vez que reparei, ainda sou português, e até pode vir o pai natal governar este cantinho do mundo que serei sempre português, e vou sempre indignar-me quando um estrangeiro criticar o meu país e a minha cultura.
Obrigado, Maitê Proença, por me fazeres lembrar que afinal ainda estamos em Portugal, que ainda somos como há 30 anos no 25 de Abril: Unidos quando se trata da nossa cultura e da nossa pátria. Sempre em desacordo, mas sempre unidos.
Tenho acesso, através da plataforma na qual funciona este blog, aos termos que as pessoas pesquisam, no google, a partir dos quais vêm ter a este blog. Normalmente costumo prestar atenção a isso. Há imensas pesquisas por “problemas sociais”, que direccionam para um post, outras sobre “música aquática”, outras sobre “política”, etc.
Mas hoje encontrei um curioso: “É muito tarde para ser músico?”. E é curioso primeiro porque nunca vi uma pesquisa tão singular. Segundo porque é uma pergunta que muitos fazem sem encontrar resposta. E Terceiro porque vai directamente ao centro da existência deste blog, porque é precisamente um ponto onde a música se integra no que a rodeia.
Porque o nosso Governo investiu na educação musical dos miúdos. O que é excelente, podemos passar a falta de educação e a porcaria de ambiente que se vive nestas aulas, e ver que realmente é possível ter gente com um 8º grau a dar aulas nas escolas primárias. Há um problema paralelo que é precisamente esse: Basta ter o 8º grau, pelo que há pessoas com um curso complementar normal a dar aulas dessas, e isso provoca bastante incompetência (na minha opinião esse tipo de aulas deveria ser dado unicamente por alunos de escolas profissionais e ensino superior). Mas à parte disto, o ensino articulado está realmente articulado, faz sentido, funciona bem e é gratuito. O ensino integrado é a inovação, e também funciona bem. E o ensino profissional pouco mudou, mas também está bom (embora faltem escolas profissionais no sul do país). E o ensino supletivo fechou. Vamos esquematizar:
- Ensino Articulado – Os alunos frequentam as disciplinas de música obrigatórias, e o resto das disciplinas numa escola pública. Terminam com o 12º ano em Música, e das disciplinas da escola pública apenas têm Português, Educação Física, Filosofia, e mais umas quantas.
- Ensino Integrado – Muito parecido com o ensino articulado, mas as disciplinas são dadas na mesma escola. Ainda não há muitas escolas neste regime, mas as que há funcionam muito bem, pois o curso funciona muito bem. Permite que até o 10º ano os alunos tenham uma relação muito próxima com a música, sem que não tenham de decidir muito cedo o que querem.
- Ensino Profissional – É o mais estrito de todos. São totalmente orientados para música, sai-se com o 12º ano em Música, e formam músicos excepcionais, com uma enorme experiência, músicos muito bons. É parecido com os outros dois regimes, mas este é mesmo destinado a músicos que decidiram cedo e querem ser muito bons.
Ora, quando tudo isto mudou houve uma grande manifestação, pouco coberta pela comunicação social, na qual os alunos e professores de música protestavam contra o fim de um outro sistema de ensino, no qual eu estudei: O ensino supletivo. Este sistema de ensino permitia que se estudasse simultaneamente no complementar de música e no ensino secundário.
Por um lado, houve coisas boas: Há mais progresso, porque os estudos não se dividem. Não há aqueles horários gigantescos das 8h às 20h devido ao número de disciplinas, por isso há mais calma e mais progresso. Por outro lado houve coisas péssimas: Obriga os alunos a decidirem seguir música muito cedo, com 15 anos.
Ou seja, daqui a 20 anos as coisas vão estar bem. Toda a gente vai ter mais cultura, vai gostar mais de música com mais qualidade, vai haver mais público, vamos finalmente subir no nível musical e cultural. Mas o problema é que hoje em dia as portas não estão abertas àqueles que decidiram aprender música, por gosto. E para esses aprenderem música têm de ter dinheiro. Muito.
Ou seja, se o meu pai quiser aprender música, apenas pode contar com o filho para lhe ensinar o pouco que sabe. Mas não pode aprender numa escola oficial, não pode ter um 8º grau e começar a tirá-lo com 50 anos. Ou melhor, pode no Curso Livre, que é caríssimo! A cultura não está aberta para toda a gente, e aí está o problema…
A música devia ser gratuita para todos. Aí está o porquê de eu ter sido sempre contra o fim do ensino supletivo. Porque o meu instrutor de condução gostaria imenso de aprender música, tem 50 anos… E não pode. Não tem direito porque não tem idade nem tem dinheiro para o fazer. E isto não é justo.
Recebi esta por e-mail. A sério, o PS além de incompetente, está a chegar à fronteira da parolice. A rapariga é simpática, é gira e tal… Mas… MANDATÁRIA DO PS PARA A JUVENTUDE?
Isto está a bater nos limites! A sério, isto é o cúmulo do fogo-de-artifício! Reparem na “odeio perder, prefiro fazer batota”. Espero que o PS não seja assim, tendo em conta os resultados das últimas sondagens…
Vejam-me só esta maravilha, retirada directamente do site do Ministério da Educação, da Ordem de Trabalhos de hoje:
8. Estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.
Vamos traduzir: Os deputados (sim, aqueles que ganham 4 mil euros por mês), os presidentes das juntas e das câmaras, etc… Agora vão poder roubar o lugar de professor titular àqueles que realmente trabalham e merecem!
O curioso é que o nosso Primeiro-Ministro concorda comigo! Diz que esta “reforma” é para premiar quem merece. Quem, os corruptos, os ricos, os famosos? Ou aqueles que trabalham para isso?
Como podem ver, basta uma pequena leitura a alguns documentos, e logo se apanha a injustiça e a corrupção que este governo faz a todo o momento! Não é só aqueles escândalos que aparecem na televisão, essa é só a ponta do icebergue. Porque estamos constamente a ser roubados, a ser ignorados e desrespeitados!
Em Portugal, grande parte das pessoas estão despolitizadas. Ou seja, não têm interesse pela política, ou pura e simplesmente pensam que é tudo uma cambada. É verdade, meus amigos, mas temos de fazer uso dessa mentalidade para evoluirmos.
E devido a esta mentalidade, as pessoas têm actualmente uma ideia errada do Socialismo. Algumas pensam que é permitir que se faça tudo, sem que haja uma autoridade. Outras pensam que é distribuir os bens por toda a gente, não ligando àqueles que merecem e aos que não merecem. Outras pensam que é a mesma coisa que comunismo.
Por isso eu tenho intenções de fazer convosco uma análise: O que é o Socialismo? Michael Newman detém a definição mais aproximada:
Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação
Ora com uma definição destas, pode-se obter muitas coisas. Muitas definições, muitas ideologias. Pois é, meus amigos, um socialista nunca pensa da mesma forma do que o colega do lado. Mas podemos definir que o Socialismo defende a propriedade pública, defende que as pessoas trabalhem para o Estado, tendo deste uma gama variada de serviços públicos. Da mesma forma, também se entende que todos devem ter iguais oportunidades. De estudar, de trabalhar, de crescer, de aprender…
O que muita gente pensa é que o Socialismo vai desembocar no Comunismo. O que não é certo. Morris detém a definição mais fiel de Comunismo:
O Comunismo (do latim communis = “comum”) é um sistema económico, bem como uma doutrina política e social, cujo objectivo é a criação de uma sociedade sem classes, sem Estado, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a consequente abolição da propriedade privada e caracterizada pelo controlo dos meios de produção pelos trabalhadores através de associações livres de produtores.
Basta ler atentamente para se perceber a grande diferença. O Comunismo defende a abolição da propriedade privada, enquanto que o Socialismo advoga a propriedade pública. Esta é a parte da definição que pode causar mais confusão, mas eu explico melhor: O Socialismo não está contra a propriedade privada. Está a favor da propriedade pública. Defende os hospitais públicos, as escolas públicas, etc, mas não pretende que se acabe com os hospitais privados, as escolas privadas, etc.
Quanto ao resto das diferenças entre as duas definições, está à vista. São totalmente diferentes. Pode-se dizer que são ambas de Esquerda (embora não seja totalmente verdade no que diz respeito ao Socialismo), mas são bastante diferentes.
Espero que este post tenha esclarecido algumas dúvidas, embora seja um post incompleto, já que não foco a sociedade. Apenas foco os pontos em que pode haver maior confusão, e nos quais levam as pessoas confundir Socialismo com Comunismo, quando são ideologias totalmente diferentes.
Estive, pois, ausente durante algum tempo. Embora eu não faça nada de jeito durante o ano inteiro, também fui de férias para Espanha.
E durante esta viagem tive oportunidade de ouvir uma pequena banda chamada Deolinda, da qual já tinha ouvido falar mas pura e simplesmente não liguei muito. Até porque um dos guitarristas tirou o curso lá na ESART, salvo erro. O que é provável, visto que a qualidade técnica do guitarrista é acima da média e mostra uma profunda instrução erudita. O que mostra ainda mais a qualidade da banda, pois entrar na música popular a partir da via erudita é tão difícil como entrar música erudita a partir da via popular.
Basicamente, criaram uma personagem chamada Deolinda, e todas as músicas são cantadas na primeira pessoa, pois é a própria Deolinda que canta e pensa, não é a banda. E aqui, logo no panorama da banda, aparece a primeira referência ao mundo português: A índole feminina. Fomos o primeiro povo a cantar em índole feminina, na música trovadoresca. E ao longo da história da literatura e da música portuguesa, a índole feminina sempre teve um papel muito activo. É daquelas coisas que são absolutamente portuguesas… Mas claro, ninguém sabe. Aprendi com uma professora de português, no meu 12º ano, apaixonada pelo que faz. Agradeço-lhe do fundo do coração.
Mas voltando ao assunto, aconselho a banda. Imenso. Primeiro porque foram capazes de, dentro do perfeito tonalismo popular da música portuguesa, elaborar de tal forma melódica, harmónica e ritmicamente, que se tornou algo completamente diferente, mantendo a índole popular. O carácter das letras ajuda também, pois está muito intimamente ligada à cultura portuguesa, falando da vida e dos amores habituais de uma rapariga lisboeta dos nossos tempos, acentuando aquele carácter tipicamente português, que nos faz arrepiar a cada segundo. Não é antigo porque musicalmente está evoluído relativamente às tradicionais músicas portuguesas. Mas mantém o carácter popular… É como despir a pele a uma serpente.
Fiquei seriamente surpreendido por conhecer a banda, e muito contente, porque embora se ligue o rádio e se ouça música cantada em português que me faz querer abrir um buraco e pôr lá a cabeça, há também música portuguesa, feita por portugueses, cantada em português, com uma qualidade que não é possível de se fazer noutra parte do mundo, com outra língua e outra cultura.
Recomendo, portanto. Uma banda muito boa, que me dá um prazer enorme de ouvir. Fico muito feliz quando a ouço, e espero seriamente que o projecto continue, e que muitos e bons grupos nasçam na sequência deste novo estilo, simples mas aberto à sociedade actual, sem o conservadorismo do fado e da música tradicional que já está ultrapassada no âmbito da música mundial.
Creio não ser necessário acrescentar um vídeo, basta procurar por “Deolinda” no youtube, há lá mil vídeos, todos a dar a conhecer o trabalho. Não se esqueçam ainda de comprar o CD.
Os meus profundos parabéns à banda, pelo seu magnífico trabalho.
Às vezes deparo-me com uma pergunta frequente, uma pergunta que surge, inclusivamente, entre os músicos: Quem foi Mozart?
Toda a gente sabe que foi um grande compositor, mas a pergunta persiste: Quem é Mozart? O que é que ele fez? O que é certo é que Mozart praticamente não evoluiu. Não foi um visionário como foi Beethoven, não foi uma “bomba” na composição como foi Schoenberg, não tem praticamente características fortíssimas como os contratempos de Brahms ou as harmonias de Chopin.
Nova tentativa de resposta: Mozart era um génio. Eu sei. Todos sabem. Mas é mais uma frase feita, todos dizem mas efectivamente ninguém consegue explicar porquê. Já mil pessoas tentaram, musicólogos, instrumentistas, maestros… Podemos decorrer aqui em tentativas, em estudos feitos, dava para uma autêntica série de livros… Mas a conclusão seria a mesma: Isso ouve-se. Ou vê-se, visualmente, na partitura.
“Mas onde é que ele quer chegar?”, estão os leitores a perguntar. Já se supõe, pelo que disse acima, que não tenho a menor intenção de explicar passo-a-passo o porquê de o Mozart ter sido um génio. Não critico quem o faça, desde que o faça por gosto. Todos os caminhos vão dar a Roma.
A minha intenção é incluir essa personagem num contexto. Incluir a música dele num contexto, porque se há génios a compôr, certamente que há génios a pintar, a esculpir, a escrever…
Mas eu vou utilizar, como meio de comparação, outra arte, a qual aprecio imenso: A literatura.
Porque a música é como a poesia. Ouvem-se os sons, a rima, o ritmo, e no fundo há mil coisas que são incrivelmente mais belas do que o texto em si. Lindíssimo é quando estas se unem com o texto com uma delicadeza e com um toque divino. Mas também há aquilo que se vê, que se lê: A métrica dos versos, as estrofes…
Não sou bom a História da Literatura. Não sei se essa personagem já existiu na poesia, mas se não existiu, vai existir. Um poeta que escreva um poema sem apagar uma única letra, uma única palavra, e seja esse o resultado final. Um poeta que o diga sem qualquer erro de entoação, gramática, sintaxe, tudo. Um poeta que incuta silêncio em Charing Cross na hora de ponta. Um poeta que cale o mundo, que vá contra a maré e a derrube sem saber.
Existiu, ou vai existir um poeta assim. Porque todos os poetas fazem um esquema, escrevem blocos de notas inteiros, recolhem ideias, formulam hipóteses, consultam dicionários, enciclopédias… Para que tudo corra como eles querem. Para que a métrica resulte, para que os sons corram, as rimas funcionem. Os poetas fazem uma “moldura”, e encaixam nessa moldura um tema, um contexto, que não sai dali. E se sair, voltam ao início, voltam a tentar, tiram palavras, põem palavras, descobrem sinónimos…
E eu estou a falar de um poeta que não o faça. Estou a falar de um poeta que escreva tudo já emoldurado, sem pensar muito naquilo. Que escolha as palavras perfeitas que um qualquer poeta demoraria dois anos a escolher. Que faça o ritmo tão perfeito que invejaria qualquer um. À primeira, sem pensar.
Mozart é precisamente isso, na Música. É um príncipe, o príncipe do Clássico, o perfeito dos perfeitos. Um homem que não pensava, que contrariamente a todos os compositores até hoje, não riscava, não apagava, não corrigia. Um homem que apenas escrevia porque precisava de dinheiro, e a música era o que ele precisava. Escrevia à primeira, a métrica saía-lhe, as melodias eram pura e simplesmente divinais, o ritmo era arrepiantemente perfeito, a pulsação deliciosamente flexível e bela.
Ele foi mais alto, mais longe. Ele tem um Canon tão perfeito que pode ser tocado com a partitura ao contrário, ou seja, com as relações intervalares ao contrário e os ritmos também ao contrário. É como se na poesia existisse um poeta que sem pensar fizesse um poema que pudesse ser lido com as palavras ao contrário, fazendo na mesma o mais puro sentido.
E isso ouve-se. Ouve-se a perfeição, ouve-se a clareza, tão perfeitamente como se ela estivesse à frente dos nossos olhos. Entra-se em contacto com Deus, com o que raio signifique a perfeição.
É isso que acontece. Não preciso de saber porquê… Apenas dou graças a Deus por poder apreciar isto que Ele nos deu.
E para finalizar, aqui fica uma interpretação do 1º andamento do Divertimento K136 de W. A. Mozart, o Príncipe da Música.
Tocado por uma orquestra que não faço a mínima ideia quem seja, mas dirigido por um dos melhores professores e mestres violinistas de sempre, o Sir Menuhin.
Deixo ainda um pequeno aparte: Tal como as obras de Schubert, Bach, entre muitos outros, as obras de Mozart são todas catalogadas com um “K”. Por exemplo, este Divertimento é K136, enquanto que o Quarteto N.º7 é K160.
“K” vem de Köchel, um biógrafo musical, que dedicou o seu trabalho a catalogar cronologicamente todas as obras de Mozart.
Similarmente, temos o catálogo de Bach “BWV”, feito por Wolfgang Schmieder, cuja sigla significa Bach Werke Verzeichnis (“catálogo de obras de Bach”).
Muitos compositores influentes têm as suas obras catalogadas, principalmente aqueles que têm muitas obras possíveis de serem confundidas (como Haydn e as suas 112 sinfonias, Bach e as suas partitas, Vivaldi e os seus concertos).
Foi só uma pequena curiosidade, alguns amantes da música me perguntam frequentemente o porquê desse “código” que aparece logo a seguir ao nome das obras.
É incrível como certas empresas estão-se completamente a marimbar para o que dizem os clientes.
Falo mais concretamente da empresa INSYS, de informática. O meu portátil deixou de funcionar e foi para a garantia.
Eu já estava a ver a história, já para o mandar vir foi preciso pedir um requerimento ao papa, e claro que a brincadeira repetiu-se.
O que acontece é que as linhas estão sempre ocupadas. Claro que estou a exagerar, porque se consegui duas vezes ser atendido, já não se pode ocupar a posição “sempre”, até porque não tentei constantemente. Nem é possível.
Mas digamos que liguei aí umas 40 vezes, já a contar com as tentativas de me atenderem o telefone quando foi para pedir o portátil.
O que acontece é que eles põem um atendedor automático a dizer que os operadores estão todos ocupados. Eu entendo, não quero o mal de ninguém, não quero que eles trabalhem a mil à hora. Mas sempre?
Certamente que já houve reclamações à custa disso, e a próxima vai ser a minha. Mas é triste, porque no fundo quem vai ouvir são os operadores! Como se eles tivessem culpa de serem poucos e de ser muita gente a ligar.
Mesmo assim eu acho estranho. Vi num sítio qualquer que o serviço existia das 9h às 13h, e das 14.30h às 18.30h. Ora, eu de tantas vezes que tentei, já tentei ligar às 9.01h, às 12.59h, às 14.29h e às 18.29h. Bem como alguns minutos antes, alguns minutos depois, meia hora antes, meia hora depois… À procura de uma altura em que a “vaga” de tentativas fosse menor por parte dos outros utilizadores. O que me assusta, porque duvido que haja 10 ou 20 pessoas a ligar um minuto antes do serviço fechar. Duvido mesmo.
É vergonhoso. Se eles têm assim tanta ocupação, porque não põem mais operadores? Porque se estão a marimbar para isto!
E a incompetência da empresa INSYS vai mais longe. Sabendo como eles são, pus a rédea curta, e li o contrato com muito cuidado. Da segunda vez que consegui ligar para lá, às tantas a conversa ficou assim:
- O seu portátil ainda está em processo de reparação – Disse a operadora (por acaso muito simpática).
- Ok, mas queria só lembrar que atendendo ao contrato, o portátil tem de ser entregue no máximo em 30 dias úteis
- Sim, o portátil deu entrada aqui na Insys no dia 3 de Julho, pelo que no dia 3 de Agosto será entregue.
- Portanto no máximo no dia 3 o portátil é entregue, certo?
- Ããã… No dia 3… Ou depois, sim.
- Ou depois? Mas o contrato estabelece rigidamente o prazo de 30 dias, e tome nota que de 3 de Julho a 3 de Agosto são 31 dias, não são 30, sequer.
- Sim, mas os serviços estão um bocadinho atrasados, sabe que agora os técnicos estão de férias, e tal…
- Então explique-me: Para atender o telefone o serviço é totalmente impessoal, e põem-me a falar com um atendedor automático. Mas para se desculparem, a culpa é dos técnicos, das férias, etc.
- Pois eu compreendo, mas sabe, eu não posso fazer nada.
- Pode, claro que pode. Comunique aí ao seu gerente que se no dia 3 de Agosto o meu portátil não estiver em minha casa, tal como previsto, vou fazer uma dupla reclamação, e vou informar a DECO.
- Ah, mas isso depois tem de ligar para cá.
- Não tenho nada. Tenho de ligar para a Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores. Portanto apenas comunique ao seu gerente. Obrigado.
O que aconteceu: Nada. Hoje é dia 3 de Agosto, e não recebi um único contacto.
A insys é uma empresa tremendamente má, a meu ver. O pouco contacto que tive com ela, foi de qualidade 1, numa escala de 0 a 5. E como tal, eu vou combater a incompetência, a impessoalidade, e vou lutar pelos meus direitos. Incluindo exigir o fim do contrato, porque eles não cumpriram a parte deles, logo eu também não tenho de cumprir a minha.
Espero que me compreendam. Se fosse uma empresa que eu achasse que era uma casualidade, uma coisa que não acontece sempre… Admitia. Neste caso não admito. Servem mal os clientes, têm de arrecadar com as consequências.